Muito empresário já preencheu um canvas de negócios num curso ou numa consultoria: um quadro de uma página, dividido em blocos, que ajuda a pensar o negócio inteiro de uma vez. O Canvas de Networking usa o mesmo formato com outra pergunta. Em vez de "como a minha empresa funciona?", ele responde "como eu gero negócios por relacionamento?". Para preencher o seu agora, use o canvas de networking: são seis blocos, com sugestões opcionais por bloco, e o resultado fica pronto para baixar ou salvar no perfil. Neste guia, você entende cada bloco, a diferença para o Business Model Canvas e como usar o quadro numa rodada de negócios.
O que é o Canvas de Networking
É um quadro de uma página com a sua estratégia de relacionamento comercial. Ele reúne, num lugar só, o que você oferece, para quem, o que muda para o cliente, o que você procura, quem você pode indicar e quem já caminha junto com você.
Parece pouco, mas a maioria das empresas pequenas nunca escreveu essas respostas. Elas ficam na cabeça do dono e saem diferentes a cada conversa. Com o quadro escrito, o pitch fica consistente, o pedido de indicação fica claro e as reuniões ficam mais objetivas, porque você sabe o que perguntar e o que oferecer.
Os seis blocos
1. O que ofereço
O seu produto ou serviço, em uma frase sem jargão. Teste: alguém de fora do seu setor entende na primeira leitura? "Plataforma omnichannel de engajamento" não passa. "Sistema que confirma consultas por WhatsApp" passa. Se você já fez o gerador de pitch, a frase de abertura dele é um bom ponto de partida.
2. Para quem
O seu cliente ideal: setor, porte, região e quem decide a compra. Quanto mais específico, mais fácil para os outros lembrarem de alguém que se encaixa. "Pequenas e médias empresas" é largo demais. "Clínicas de fisioterapia com duas a cinco salas, em que a dona cuida da agenda" é um perfil que alguém reconhece. Se ainda não tem esse perfil escrito, a ferramenta cliente ideal ajuda a chegar nele.
3. O resultado que entrego
O que muda para o cliente depois de trabalhar com você, na linguagem dele. Não é a lista de funcionalidades, é a consequência: menos faltas na agenda, entrega no prazo, menos retrabalho na obra. Este bloco é o que faz a pessoa do outro lado prestar atenção.
4. O que procuro
Quem você quer encontrar agora: clientes, fornecedores, parceiros, representantes ou investidores, e o perfil de cada um. Escreva no presente e com prioridade. Procurar tudo ao mesmo tempo é o mesmo que não procurar nada. Se o foco deste trimestre é encontrar um representante comercial no interior, diga isso.
5. Quem eu posso indicar
Para quem os seus contatos costumam ser úteis. É o bloco que muita gente esquece e o que mais muda a qualidade do seu networking. Relacionamento comercial é troca: quem só pede é lembrado como quem só pede. Se você atende construtoras, provavelmente conhece engenheiros, arquitetos, fornecedores de material e escritórios de contabilidade do setor. Escrever isso deixa claro o que você leva para a mesa, mesmo quando a outra empresa não é sua cliente.
6. Parceiros-chave
Quem já indica você, quem complementa a sua oferta e quem atende o mesmo cliente sem concorrer. Uma empresa de energia solar e uma de reforma elétrica, por exemplo, atendem o mesmo cliente em momentos próximos. Listar esses parceiros mostra onde investir tempo de relacionamento e ajuda a ver quais tipos de parceiro ainda faltam.
Diferença entre o Canvas de Networking e o Business Model Canvas
O Business Model Canvas foi criado por Alexander Osterwalder e ficou conhecido com o livro Business Model Generation, escrito com Yves Pigneur. No Brasil, o formato se popularizou entre pequenos empresários também por meio de cursos e materiais do Sebrae. Ele tem nove blocos: segmentos de clientes, proposta de valor, canais, relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos principais, atividades-chave, parcerias principais e estrutura de custos.
Os dois quadros se parecem na forma, mas respondem a perguntas diferentes:
| Ponto | Business Model Canvas | Canvas de Networking |
|---|---|---|
| Pergunta central | Como a empresa cria, entrega e captura valor | Como a empresa gera negócios por relacionamento |
| Número de blocos | Nove | Seis |
| Quando usar | Ao desenhar ou revisar o modelo de negócio | Ao preparar prospecção, indicações e reuniões |
| Fala de dinheiro | Sim: receitas e custos | Não: o foco são pessoas e empresas |
| Uso no dia a dia | Planejamento, revisto de tempos em tempos | Base do pitch, do perfil e dos pedidos de indicação |
Alguns blocos conversam entre si. "Para quem" se aproxima de segmentos de clientes, "O resultado que entrego" se aproxima de proposta de valor, e "Parceiros-chave" lembra parcerias principais, só que aqui o foco está em quem indica e complementa, não em fornecedores de recursos. Já "O que procuro" e "Quem eu posso indicar" não têm equivalente no Business Model Canvas, e são justamente os que fazem o networking funcionar.
Um não substitui o outro. Se a empresa ainda está definindo o que vende e como ganha dinheiro, comece pelo Business Model Canvas. Se o modelo já está de pé e o desafio é encontrar as pessoas certas, o Canvas de Networking é o quadro de trabalho.
Como preencher em uma sessão
- Comece por O que ofereço e O resultado que entrego. São os blocos que você mais conhece. Escreva rápido e ajuste depois.
- Passe para Para quem. Pense nos três melhores clientes que você já teve e no que eles têm em comum.
- Escreva O que procuro com prioridade. Uma ou duas coisas, não cinco.
- Preencha Quem eu posso indicar. Olhe a sua agenda de contatos e pergunte: para quem essas pessoas seriam úteis?
- Termine com Parceiros-chave. Liste quem já indicou você e quem atende o mesmo cliente sem concorrer.
- Leia em voz alta. Se alguma frase soa como folder de propaganda, reescreva com as palavras de um cliente.
Frases curtas valem mais do que blocos cheios. O quadro bom é o que você consegue explicar em um minuto.
Como usar o canvas numa rodada de negócios
Uma rodada de negócios online reúne empresas em reuniões curtas por videochamada, sugeridas por afinidade. Se você ainda não participou, vale entender como funciona uma rodada de negócios antes de seguir. O canvas ajuda em três momentos.
Antes: o perfil que orienta as sugestões
O matchmaking B2B da plataforma usa o que cada empresa declara (o que oferece e o que procura) para sugerir as conversas com mais afinidade. Os blocos Para quem e O que procuro são exatamente essa declaração. Com conta e empresa cadastrada, você pode salvar o canvas no perfil e levar essas respostas para a próxima rodada. As rodadas são abertas a empresas de qualquer cidade do Brasil, e não há garantia de conversar com alguém do mesmo setor: por isso a clareza no que você procura pesa tanto.
Durante: abertura, perguntas e troca
Abra a conversa com O que ofereço e O resultado que entrego, em poucas frases. Depois pergunte o que a outra empresa procura. Se ela não for sua cliente, use Quem eu posso indicar: talvez você conheça exatamente o fornecedor ou o parceiro que ela busca. Reuniões em que os dois lados saem com algo útil são as que geram interesse mútuo, e o contato só é trocado quando os dois lados marcam interesse.
Depois: atualizar o quadro
Depois da rodada, revise o canvas. Talvez uma conversa tenha mostrado um parceiro que você nem considerava, ou um perfil de cliente que se encaixa melhor do que o que estava escrito. O quadro é vivo: atualize a cada rodada ou a cada trimestre.
Exemplos de Canvas de Networking
Os exemplos abaixo são fictícios e servem só para mostrar o quadro preenchido.
Escritório de contabilidade para prestadores de serviço
- O que ofereço: contabilidade e rotina fiscal para empresas de serviço.
- Para quem: agências, consultorias e clínicas com até vinte funcionários, em que o sócio cuida do financeiro.
- O resultado que entrego: o sócio para de perder tempo com guias e sabe quanto pode retirar todo mês.
- O que procuro: agências de marketing e consultorias que estão deixando de ser MEI.
- Quem eu posso indicar: advogados empresariais, corretores de seguro e empresas de sistemas de gestão.
- Parceiros-chave: um escritório de advocacia trabalhista e uma empresa de sistemas de emissão de nota.
Fábrica de embalagens personalizadas
- O que ofereço: caixas e embalagens de papelão com a marca do cliente, em lotes pequenos.
- Para quem: marcas de alimentos e cosméticos que vendem pela internet e cuidam da expedição na própria empresa.
- O resultado que entrego: o produto chega inteiro e com cara de marca, sem precisar comprar milhares de caixas de uma vez.
- O que procuro: um representante comercial que já atenda pequenas indústrias de alimentos.
- Quem eu posso indicar: gráficas, transportadoras e estúdios de design de embalagem.
- Parceiros-chave: um estúdio de design que cria a arte e uma transportadora que atende lojas virtuais.
Empresa de manutenção predial
- O que ofereço: manutenção elétrica, hidráulica e de ar-condicionado com contrato mensal.
- Para quem: condomínios comerciais e redes de lojas com várias unidades, em que o gerente de operações decide.
- O resultado que entrego: menos chamados de emergência e uma agenda previsível de manutenção.
- O que procuro: administradoras de condomínio e redes de franquia em expansão.
- Quem eu posso indicar: empresas de limpeza, segurança patrimonial e energia solar.
- Parceiros-chave: uma empresa de limpeza que atende os mesmos condomínios e um fornecedor de peças de ar-condicionado.
Erros comuns ao preencher o canvas
- Escrever para impressionar: jargão e adjetivos deixam o quadro bonito e inútil. Escreva como você fala com um cliente.
- Procurar tudo: clientes, sócios, investidores e fornecedores ao mesmo tempo. Escolha o que importa agora.
- Deixar Quem eu posso indicar em branco: é o bloco que mostra o seu valor na rede. Sem ele, você vira só mais alguém pedindo.
- Para quem genérico: se cabe qualquer empresa, ninguém lembra de nenhuma.
- Preencher uma vez e esquecer: o quadro envelhece junto com a empresa. Revise depois de cada rodada.
Resumo
O Canvas de Networking é um quadro de uma página com seis blocos: o que ofereço, para quem, o resultado que entrego, o que procuro, quem eu posso indicar e parceiros-chave. Ele usa o formato que muitos empresários conhecem do Business Model Canvas, mas responde a outra pergunta: como gerar negócios por relacionamento. Use o quadro para escrever o pitch, preencher o perfil da rodada, conduzir as conversas e revisar os parceiros depois de cada encontro.
Com o canvas pronto, coloque ele à prova em conversas reais. A primeira rodada de negócios online da sua empresa é cortesia da plataforma: basta ter o CNPJ ativo, uma vez por CNPJ, e o contato só é trocado quando os dois lados marcam interesse. Veja as próximas rodadas de negócios e leve o seu quadro para a primeira conversa.